21 de ago de 2012

Como trabalhar o dia dos pais com tantas crianças que não têm um pai? O conceito de família nos dias atuais.


  O Dia dos pais é uma data importante, enquanto o dia daquele que nos apoiou e ajudou, esteve presente nos 
momentos mais importantes de nossa vida. É um dia para estar perto, agradecer, lembrar, abraçar, reunir a 
família.
   A comemoração deste dia foi importada dos Estados Unidos, passando a ser comemorada aqui no Brasil
 desde 1953. Inicialmente, acontecia em Junho, mas por motivos comerciais, a data foi transferida para Agosto.

   O termo Pai deriva do latim patre: progenitor, genitor, gerador. É a figura masculina da família.  
A responsabilidade de ser o pai responsável pela educação e sustento dos filhos provém do Século XIX.
 No Século XX, porém, a mulher já ajudava no sustento familiar.
  
   Todos estes dados servem apenas para que nos situemos na origem da data, no início da comemoração.
E se perguntarem minha opinião, hoje, sobre datas que não conseguem acompanhar as mudanças no seio
da sociedade, direi simplesmente que elas deveriam ser extintas. E daí muitos se assustariam! Simplesmente
 imagino que o dia da família deveria ser comemorado, no lugar destas datas! Família porque assim estaríamos
respeitando o modo de ser, de viver de cada um! Não estaríamos excluindo ninguém, pois mesmo um órfão
 considera família aquela que o adotou. Deste modo, não interessando se a criança vive apenas com os avós,
esta é a sua família. Se vive com os tios, esta seria a sua família e assim sucessivamente, todos seriam incluídos,
respeitados.

   Preparamos e pensamos em tantas lembrancinhas tão lindas e no dia da entrega vemos aquele rostinho meio
 sem graça de triste, em meio às outras crianças sorridentes. O que fazer? Como lidar com uma realidade que
 todos os dias vai contra a  fantasia?

   Não tenho uma resposta pronta para esta questão. Já dei minha opinião pessoal a respeito. Posso apenas
elatar aqui minha experiência, e quem sabe, ela sirva ou ajude a alguém. Todos sabemos que o conceito de
 família, em 2012, não é  o mesmo conceito que no século dezoito. As famílias mudaram, o conceito mudou.
Mulheres saem ao trabalho enquanto o marido cuida da casa, pais criam seus filhos sozinhos, o divórcio deixou
de ser um tabu e casais homossexuais criam filhos, também.

   Será que a escola acompanha estas mudanças? Será que conseguimos trazer à nossa pauta estes assuntos
 REAIS ou continuamos ignorando totalmente o que nos cerca, com a limitada visão de que todas as famílias
são perfeitas e ideais como as dos comerciais de margarina?

Estas são as famílias dos comerciais:

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 Somos a era da imagem, da velocidade da informação. E nada do que eu diga comprovará melhor que imagens
 que, geralmente, falam por si. Apenas para reflexão e análise.

   Isto me ajudou a reformular minhas lembrancinhas e atividades escolares nestas datas, me ajudou a trabalhar
 certas datas em classe de modo mais real, menos 'novelístico', menos 'televisivo'. Sabe por quê? Porque eu
 tinha uma aluna que foi abusada pelo pai,  um aluno que nunca viu o pai em toda a sua vida, tinha outros que
viam o pai beber até cair e assistiam a mãe trabalhar até não poder mais para sustentar a casa. 

   Não sei se estas 'realidades' faziam parte apenas de minha turma, ou se elas se estendem (penso que sim!)
 a outros Estados do país e a outras salas de aula Brasil afora. Ficava pensando: "Como abordar dia dos pais
 com eles??" "Como ignorar metade do grupo e fazer lembrancinhas para a outra metade?" Como atropelar
esta dor em prol de uma data comercial? Comercial porque pai é pai todos os dias! É bonita a homenagem de
dar-lhe uma data no calendário, mas pai que não ouviu um 'eu te amo' o ano inteiro, sinceramente, não precisa
 ouvir numa data específica, o significado todo se perdeu no percurso.

 Esta é uma família típica do Nordeste do Brasil:


Família pobre do Nordeste: o predomínio

das mulheres é cada vez mais nítido
Imagem Revista Veja















   Observe que de acordo com o senso do IBGE o padrão da família basileira não é mais como antigamente.
Aumentou o número de famílias com mulheres sem maridos e com filhos, ao mesmo tempo em que o padrão
 familiar deixou de ser aquele televisivo e dos comerciais. Predominam as famílias onde a mulher é a responsável
 pelo sustento, sem a figura masculina. 


   Voltando ao modo como trabalhei a data com a turma, explico: Nos sentamos em círculo, alguns alunos já
 haviam dito  anteriormente: 'o dia dos pais é na semana que vem, eu não tenho pai'. Conversamos, falamos
sobre a data e sua origem, cada um pôde falar sua experiência, contar o que este dia significa para ele. Muitos
tiveram coisas ruins para contar. Em outros casos, percebi que mesmo tendo pai, ele era um grande vazio para
aquela criança, pois ela não tinha NADA para contar. Disse 'quase não vejo o meu pai, ele chega tarde e domingo
ele sai'. 
   Então, fizemos uma redação:


O QUE EU PENSO SOBRE O DIA DOS PAIS

    Gostaria sinceramente de ter os trabalhos para escanear e colocar aqui, mas não tenho. Alguns alunos
escreveram que era uma data boa para estar perto dos pais, abraçar, dar um presente. Outros escreveram
 que a data não significava nada para eles porque nunca tiveram um pai. Outros escreveram que o pai havia
 morrido e ainda outros que não gostavam de lembrar do pai porque ele não era uma 'pessoa boa'. Notei que
diversos pais, mesmo existindo fisicamente, não existiam, eram uma lacuna.

Parti para a segunda parte:

MEU GRANDE AMIGO

   A conversa foi uma continuidade do que havíamos falado antes. Mas, desta vez, perguntei a eles se havia
 alguém especial de quem se lembravam neste dia. Disse a eles que pai não era aquele que o gerou e sim
 aquele que o ajudou, que deu a mão, deu amor, foi AMIGO. Vi diversos rostos se iluminarem. Eu disse: 
Então, quero que pense nesta pessoa. Vamos falar sobre ela e você irá dedicar este domingo a esta pessoa.
 A conversa foi diferente e desta vez eles se sentiram mais a vontade, mais alegres. Cada uma daquelas crianças
 se alegrou com o termo amigo. Então, vamos transformar esta data numa espécia de dia do amigo!

   Fizemos corações: MEU GRANDE AMIGO - foi o título escolhido. No cartão, escreveram um agradecimento a 
pessoa que lhes deu amor, carinho, que esteve perto. Muitos escreveram ao avô. Outros, ao irmão mais velho.
Alguns ao pai, outros escreveram a um tio, e dois a um primo.

   Fiz estas atividades porque preferi abordar o tema e modificar um pouquinho a dor do modo antigo de pensar, 
imagino que pensando desta forma, que tinham um grande amigo, alguém especial, poderiam encarar de melhor
 forma a ausência.

  Não tenho ainda todas as respostas. Não acredito que alguém as tenha. E gosto de saber que o assunto está
 inacabado. Desta forma, poderão completá-lo com suas opiniões, também. Deixo o tema em aberto para que
dêem suas próprias opiniões e sugestões.

Texto: Profª Elizabeth Cavalcante 

Texto: Profª Elizabeth Cavalcante 


   Consultei: 
IBGE
Revista Veja - A família brasileira
   Consultei: 
IBGE
Revista Veja - A família brasileira

Fonte: Espaço educar


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